Plenário lotado debate dependência química em Arujá

Com o Plenário completamente lotado por estudantes de escolas públicas de Arujá, a Câmara Municipal promoveu um importante debate sobre os riscos da dependência química e os impactos do uso abusivo de drogas ilícitas, cigarros e bebidas alcoólicas.
O evento, realizado na quinta-feira (25/2), integrou a programação da 1ª Semana Municipal de Combate ao Alcoolismo, ao Tabagismo e às Drogas Ilícitas entre Crianças e Jovens, iniciativa promovida pelo vereador Tiago Ursão (MDB), autor da Lei Municipal nº 3757/2025, que instituiu oficialmente a Semana no calendário da cidade.
Durante o encontro, especialistas abordaram a relação entre drogas e saúde mental e explicaram por que jovens e adolescentes são mais vulneráveis ao consumo. Segundo os palestrantes, a adolescência é um período de intensas transformações, marcado pela necessidade de pertencimento e pela tendência à exposição a riscos.
Dependência e dor emocional
Ao iniciar sua explanação, a psicóloga Caroline Santos destacou que, na maioria das vezes, “a dependência está relacionada à dor emocional”. Por isso, segundo ela, é fundamental que o jovem desenvolva autoconhecimento, aprenda a identificar sinais do próprio corpo e busque ajuda quando necessário.
“Terapia é vida”, afirmou.
Caroline também alertou que o uso de drogas sejam lícitas ou ilícitas agrava quadros de saúde mental, como ansiedade e depressão.
“As drogas aliviam temporariamente a dor, mas aumentam consideravelmente os riscos de surtos psicóticos e de crises de ansiedade”, pontuou.
A psicóloga ainda chamou atenção para o papel das redes sociais como fator agravante. “Há uma comparação constante e uma ideia de vida perfeita. Felicidade constante não existe”, ressaltou.
“Início do fundo do poço”
Com 30 anos de experiência na Polícia Militar, o Sargento Cavalcanti enviou um vídeo aos estudantes com um recado direto e enfático:
“Não se envolvam com drogas. Nem por razão, nem por tristeza e nem por alegria. O uso de drogas é o início do fundo do poço.”
A mensagem reforçou o alerta sobre as consequências devastadoras que o envolvimento com substâncias pode trazer à vida pessoal, familiar e profissional.
Dependência química é doença
A última palestra foi ministrada pelo pedagogo Ricardo Galhardo, que explicou as principais características do comportamento adolescente, como as drogas atuam no cérebro e a importância de desenvolver percepção clara da realidade para tomar boas decisões.
“Tudo o que você escolher entre os seus 10 e 30 anos você repetirá por toda a vida”, alertou.
Galhardo enfatizou que a dependência química é uma doença e deveria constar, inclusive, nos atestados de óbito.
“Vício é roer unha. Dependência é doença progressiva.”
Com décadas de experiência em sala de aula, o pedagogo afirmou que o adolescente “não tem medo de morrer” e que, por isso, a abordagem simplista de que “droga mata” muitas vezes não sensibiliza esse público.
Ele também destacou que as drogas alteram a percepção da realidade, impactando diretamente o comportamento e as escolhas. Além disso, desconstruiu a ideia de controle sobre o uso:
“Mesmo se o uso for ocasional, o cérebro se acostuma.”
Presença de autoridades e comunidade escolar
O evento contou com a presença da presidente do Fundo Social de Solidariedade, Clau Camargo, que compartilhou um exemplo pessoal ao abordar os malefícios do cigarro.
Também participaram o vereador Divinei (PL), 1º Secretário da Mesa Diretora; a presidente do Cogescol, Givânia Aparecida de Fátima Silva; a conselheira tutelar Ione Zago Bueno Del Vale; além de integrantes da Guarda Mirim e de clubes de escoteiros.
As escolas estaduais convidadas foram:
- Doutor Rene de Oliveira Barbosa
- Profº Mariano Barbosa de Souza
- Profª Edir Paulino de Albuquerque
- Profª Maria Isabel Neves Bastos
- Pastor Carlos Richard Strautmann
A íntegra do evento está disponível no canal oficial da Câmara de Arujá no YouTube.









