Operação Auditoria prende 17 ligados ao PCC no Alto Tietê
Operação é resultado de uma investigação sobre uma organização criminosa ligada ao PCC (Divulgação PCSP)

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é alvo de uma megaoperação da Polícia Civil que desarticulou um esquema de gestão criminosa com hierarquia semelhante à de uma empresa. A ação, batizada de Operação Auditoria, ocorreu nesta terça-feira (21) e resultou em 17 prisões na capital paulista, Guarulhos e em quatro cidades do Alto Tietê — Mogi das Cruzes, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. A investigação revelou que a facção mantinha um setor de Recursos Humanos, com licença médica para traficantes e auditores internos responsáveis por fiscalizar mais de 80 pontos de tráfico de drogas.

Conduzida pela 8ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), a operação mobilizou 240 policiais civis e cumpriu 110 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estão dez auditores, um disciplina e membros que ocupavam cargos administrativos na estrutura criminosa. De acordo com o delegado-geral Artur Dian, a facção “funcionava com controle de presença, registros contábeis e até concessão de licença médica”. O sistema interno de RH registrava afastamentos e trocas de função, como se fosse uma empresa legalizada.

Estrutura empresarial do crime

A apuração da Polícia Civil identificou 84 pontos de vendas de drogas espalhados pela Grande São Paulo, todos vinculados ao PCC. Parte deles estava em fase de testes. Os “auditores” controlavam o abastecimento e a comercialização dos entorpecentes, além de supervisionar as chamadas “lojas”, nome usado pelos criminosos para se referir às biqueiras. Em alguns casos, houve intercâmbio de drogas entre pontos, conforme as conversas interceptadas durante a investigação.

O delegado Guilherme Leonel, responsável pela operação, comparou a estrutura a uma empresa. “Eles mantinham planilhas de entrada e saída, registro de perdas em ações policiais e metas de venda semanal”, explicou. Em um dos locais fiscalizados, o lucro chegou a R$ 700 mil em apenas uma semana, segundo relatório da investigação. Outro ponto, na zona leste da capital, registrou movimentação de R$ 188 mil no mesmo período.

Cidades do Alto Tietê entre os alvos

Quatro municípios do Alto Tietê — Mogi das Cruzes, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba — tiveram mandados cumpridos nas primeiras horas da manhã. Agentes apreenderam celulares, cadernos de contabilidade, dinheiro e drogas, reforçando o vínculo entre os núcleos locais e a central da facção em São Paulo. A operação também ocorreu em Guarulhos, outro polo estratégico do PCC para distribuição de entorpecentes.

Comunicação e controle digital

As investigações apontam que os criminosos utilizavam grupos de WhatsApp para coordenar o tráfico e registrar o desempenho de cada ponto. “Eles chamam os locais de venda de ‘lojas’ e compartilham resultados semanais”, disse Leonel. Segundo a polícia, a facção mantinha câmeras de monitoramento nos pontos de venda para fiscalizar a rotina dos traficantes e garantir a aplicação de punições internas.

Repercussão política

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP) divulgaram nas redes sociais conversas interceptadas pela polícia. Tarcísio chamou os diálogos de “cabulosos” e afirmou que os presos ocupavam “cargos administrativos dentro da facção”. A publicação trouxe registros de movimentações financeiras com vendas entre R$ 500 e R$ 20 mil por semana, além de vídeos dos mandados sendo cumpridos.

As investigações seguem em andamento para capturar os foragidos e identificar o destino do lucro obtido com o tráfico na região metropolitana. O balanço final será encaminhado ao Ministério Público.

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