Novo tremor de terra atinge o Marrocos

Um novo tremor de terra voltou a atingir o Marrocos. É a réplica mais forte desde o grande terremoto da última sexta feira (8). Com intensidade de 4,6 na escala Richter, o abalo foi sentido em Marraquexe. As equipes continuam os trabalhos de busca e salvamento, mas a esperança de encontrar sobreviventes é cada vez menor. As autoridades já confirmaram cerca de 3 mil mortos e perto de 6 mil feridos.

Nas últimas horas foram sentidos novos abalos em Marrocos. No total, em 12 horas, o país registrou mais cinco abalos. Os novos tremores podem danificar ainda mais a infraestrutura afetada e dificultar o trabalho dos grupos de resgate e salvamento na região.

Nas montanhas do Atlas, entre Marraquexe e Agadir, vilas inteiras ficaram arrasadas e há aldeias ainda isoladas. Foi o caso da aldeia de Algou que recebeu socorro apenas no terceiro dia após a tragédia.

Os gritos deram lugar ao silêncio, descreve Omar Ait Mahdi, morador de Algou. A esposa de Omar estava no hospital e ele ainda não encontrou as duas filhas, Hanane, de 17 anos, e Khadija, de 14 anos.

Cães farejadores de equipes espanholas confirmam que não há sobreviventes. Igor e Teddy receberam treinamento para latir quando encontram sinais de vida, mas um silêncio desolador toma conta da aldeia.

“Não há nada que possamos fazer aqui”, disse Juan Lopez, um bombeiro espanhol. “Não encontraremos ninguém aqui”, acrescentou enquanto caminhava até ao topo dos escombros. E, de repente, eles encontraram os corpos das meninas.

Omar voltou a falar e faz um pedido: “Quero que as pessoas me ajudem. Quero que o mundo me ajude. Perdi as minhas filhas, a minha casa, tudo que eu tinha”.

Entre pesadelo e realidade

Said Hartattouch, um marroquino de 34 anos, correu de Marraquexe para a vila Tinmel onde vive a família, nas montanhas do Alto Atlas.

Quando chegou lá, a casa de sua infância estava destruída, mas sua mãe e irmãs estavam a salvo. Ele conta a sensação de ter tido um sonho horrível “mas depois acordamos no dia seguinte e damos conta da realidade”.

Hartattouch também relata a dificuldade para conseguir cobertores e a insulina para a mãe.

Sem terem para onde ir, os moradores têm dormido ao relento desde o terremoto. Os habitantes dizem que a vila recebeu pouca ajuda do governo e, está dependendo de donativos e caridade.

Entre os relatos está uma mãe de um menino de 15 dias que explica que a criança precisa de farinha láctea e remédios.

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