Feirantes Mogi enfrentam rotina intensa e inspiradora
Trabalho nas feiras revela histórias de superação em Mogi. "Divulgação PMMC."

Ainda de madrugada, por volta das 2h, começa a rotina das feirantes Mogi das Cruzes que atuam nas feiras livres e varejões da cidade. O dia começa com pressa: café rápido, organização dos produtos, abastecimento do caminhão e deslocamento até os pontos de venda. Enquanto grande parte da cidade ainda dorme, elas já estão em atividade. A jornada segue até depois do meio-dia.

Essa é a realidade de quase 100 mulheres que trabalham nas feiras do município. Elas representam quase um terço dos 380 feirantes cadastrados na Secretaria Municipal de Agricultura e Segurança Alimentar. As feirantes Mogi ajudam a garantir alimentos frescos para mais de 1,3 milhão de pessoas ao longo do ano. Mogi das Cruzes conta atualmente com 27 feiras distribuídas em 18 regiões diferentes, o que totaliza cerca de 1.500 edições anuais.

Bom atendimento é tudo

Por trás de cada barraca, há histórias que vão além da comercialização. Aos 40 anos, Maria dos Aflitos Barbosa conhece bem essa rotina. Ainda durante a madrugada, ela seleciona verduras, organiza caixas e ajuda a carregar o caminhão que sai de sua propriedade, em Biritiba Ussu, com destino a diversos bairros da cidade. “Tem dia que o corpo pede descanso, mas a vida não espera”, relata. Após o expediente na feira, ela retorna para casa, onde o trabalho continua com as tarefas domésticas, organização da rotina familiar e cuidados com a casa. “Descansar? Só quando dá”, completa. Ela mantém esse ritmo há 13 anos.

Leticia Freitas, de 35 anos, compartilha de uma rotina semelhante. Há 17 anos, ela trabalha com a venda de peixes na Feira de Jundiapeba, sempre às quartas-feiras. Sua barraca é uma das mais procuradas do local. “É um trabalho que não dá para parar. O cliente precisa de atenção e a gente quer que ele se sinta satisfeito com a compra. Bom atendimento é tudo”, afirma.

Daniela Aparecida dos Passos, de 32 anos, também enfrenta múltiplas jornadas. Moradora de Biritiba Ussu, ela é responsável por todas as etapas do seu negócio: planta, colhe e vende as próprias verduras. Além disso, concilia as atividades com a rotina de mãe e dona de casa. “Não é só vender. É cuidar de tudo. Mas quando o cliente volta e diz que gostou, vale a pena”, diz. Entre uma tarefa e outra, ela ainda encontra tempo para divulgar os produtos nas redes sociais. “Nós, mulheres, somos múltiplas funções”, comenta.

Rotina noturna

Para algumas feirantes, o trabalho não termina no início da tarde, mas apenas muda de turno. É o caso de Kátia Sato e Solange Anastácio, que atuam nas feiras noturnas às quintas-feiras. Kátia trabalha em Braz Cubas, enquanto Solange atende no Alto Ipiranga, na Feira Noturna do Produtor Rural, conhecida como Feira da Mesquita.

Apesar de atuarem em regiões diferentes, as duas compartilham uma rotina semelhante. Durante o dia, permanecem na cozinha preparando massas, recheios e demais produtos que serão vendidos à noite. “A feira da noite é outra correria”, afirma Kátia, que atua no ramo há 19 anos e aprendeu o ofício com os pais. Ela destaca o caráter artesanal dos produtos como diferencial. Entre eles, uma versão de canolli feita com massa de pastel bem fina, passada no açúcar de confeiteiro e canela, recheada com doce de leite caseiro ou chantyninho.

Segundo Kátia, o principal desafio enfrentado pelas mulheres nas feiras ainda é o esforço físico. Ela relata a necessidade de montar e desmontar a barraca diariamente, o que exige força. “São cerca de 23 quilos de placa de inox que preciso levantar ou descer do bagageiro da Kombi, tudo com ajuda de uma escadinha. Tenho 1,57 metro e minha estatura não ajuda muito. Mas a gente dá conta”, diz.

Aos 66 anos, Solange Anastácio soma 11 anos de atuação no comércio de pastel, pães e bolos. Ela é uma das feirantes mais procuradas na Feira da Mesquita. Para ela, o vínculo com os clientes vai além da relação comercial. “Ali, a gente não tem clientes, são pessoas amigas para uma vida inteira”, afirma. Solange também destaca o papel da feira em sua trajetória pessoal. “Foi daqui que eu tirei o sustento dos meus filhos. A feira me deu tudo”, conclui.

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