Encontro inédito reúne mães atípicas em Santos

Mães de crianças com deficiência – mães atípicas – se reuniram em uma roda de conversa inédita na última quinta-feira (11), na Casa da Mulher, em Santos. O encontro, parte das comemorações pelo Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro), foi promovido pelo projeto “Mães da Esperança” e teve como objetivo o acolhimento e a troca de experiências entre mães atípicas.
Mediado pela fotógrafa e produtora Caroline Pierre, criadora do projeto, e pela psicóloga clínica Fabiana Benedicto de Abreu, o evento permitiu que as participantes compartilhassem vivências, dúvidas, medos e informações. As histórias, que muitas vezes começam com o susto do diagnóstico, revelaram, na avaliação das organizadoras, que os desafios do dia a dia são permeados por amor, esperança e pela busca por mais visibilidade e apoio social.
A idealizadora do “Mães da Esperança”, Caroline Pierre, também é mãe atípica. O projeto nasceu em 2023 a partir de seu olhar como fotógrafa, quando sua filha Lia, de cinco anos, que tem hidrocefalia, passava por tratamento. “Ao me deparar com outras mulheres com filhos atípicos, fiquei impactada. Acabei me inspirando por retratá-las em fotos com histórias reais junto a seus filhos e a me engajar nessa luta por inclusão”, disse Caroline. Ela está realizando uma exposição de fotos do projeto no Paço Municipal, que pode ser visitada até esta segunda-feira (15).
Para a psicóloga Fabiana Benedicto de Abreu, o encontro representou um momento de autocuidado e escuta sem julgamentos. “Esse é um momento somente delas, que passam por lutas e merecem um olhar especial”, comentou.
Depoimentos
Participaram da roda de conversa mães atípicas com diferentes trajetórias. Cristiane Zamari, coordenadora de Defesa de Política para Pessoa com Deficiência da Prefeitura, é mãe de Bernardo, de 20 anos, que tem síndrome de Down. Ela descobriu a condição durante a gestação. “Na época eu era muito nova, não tínhamos informação a respeito, mas fui em busca. A minha luta vem desde a maternidade e por isso sempre tive um fascínio pelos Direitos Humanos”, contou.
Já Fabíola Faro, aposentada, escolheu ser mãe atípica ao adotar Pedro, hoje com oito anos e com múltiplas deficiências, de um lar para crianças com paralisia cerebral em 2019. “Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Não consigo enxergar a deficiência do meu filho, que me tirou da depressão”, explicou.
A advogada Patrícia Gonzaga Cesar, mãe de Bento, de seis anos, relatou encontrar apoio em grupos de Whatsapp e lamentou a falta de suporte familiar. “Expor nossas dores numa roda de conversa nos ajuda a buscar caminhos e estabelecer apoio do grupo que aqui pode se formar”, afirmou.
A educadora Ana Rosa Soares Moraes, que atua na formação de professores da rede municipal e tem três alunos atípicos em sua sala de aula, também participou. “Hoje quem aprende sou eu ao ouvir as histórias dessas mães”, relatou.
A exposição “Mães da Esperança”, em cartaz no Paço Municipal (Praça Mauá), é descrita por Caroline Pierre como “um convite a sentir, refletir e apoiar o movimento de empatia e transformação social”. Todas as ações da semana em celebração aos Direitos Humanos estão sob a coordenação da Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher).










