Ataques no Líbano violam a lei humanitária, afirma oficial da ONU

O alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, declarou neste domingo (6) que os recentes ataques aéreos no Líbano, realizados por Israel, violam o direito internacional humanitário ao atingir infraestruturas civis e resultam na morte de cidadãos. Segundo ele, os bombardeios estão causando destruição significativa e comprometendo as operações humanitárias no país.
Grandi, em entrevista a jornalistas em Beirute, lamentou as evidentes constantes da lei humanitária: “Infelizmente, há muitos casos de desrespeito às normas internacionais humanitárias, especialmente na maneira como os ataques aéreos são prolongados. Eles destroem ou danificam infraestruturas civis, matam civis e afeta seriamente as operações de socorro”, afirmou.
Desde o ataque transfronteiriço do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.200 israelenses e no sequestro de 250 pessoas, Israel e Hezbollah vêm trocando ataques quase diariamente na fronteira entre Israel e o Líbano. Em resposta, Israel intensificou sua operação aérea e terrestre, com foco no Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Grandi está no Líbano para acompanhar a crise humanitária causada pelo deslocamento de mais de 1,2 milhão de pessoas, resultado direto das operações militares israelenses. Embora os combates tenham começado em áreas fronteiriças, o conflito se expandiu, afetando outras regiões do Líbano. Isso, ao mesmo tempo que Israel mantém suas ações militares contra o Hamas na Faixa de Gaza.
Apelo
O oficial da ONU fez um apelo a todas as partes envolvidas no conflito. Bem como àqueles que exercem influência sobre elas, para que cessem as hostilidades tanto no Líbano quanto em Gaza. “É preciso interromper essa carnificina que está acontecendo hoje”, frisou.
De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 2.000 pessoas já morreram. E cerca de 10.000 ficaram feridas no último ano de combates, a maioria nos últimos 15 dias. Israel, por sua vez, relata que aproximadamente 50 civis e soldados perderam a vida durante o mesmo período.
Israel afirma que seus alvos são exclusivamente militares e que adota medidas para evitar danos à cidadania. No entanto, as autoridades libanesas acusam o país de atacar indiscriminadamente áreas civis. Ambos os lados seguem se acusando: Israel diz que Hezbollah e Hamas se escondem entre civis, algo que os grupos negam categoricamente.














