Palestra no CAPS de Arujá orienta moradores a parar de fumar
Médico alerta sobre danos do cigarro e incentiva a parar de fumar (Divulgação PMA)

“Hoje você me acende, amanhã eu te apago”. Com essa frase e uma série de objetos demonstrativos, o médico Dario Silva de Oliveira alertou pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II de Arujá sobre os malefícios do cigarro. A palestra ocorreu na unidade da Rua Maria de Lourdes Victorino, 5, no Parque Rodrigo Barreto.

O médico levou maletas com objetos que simulam órgãos vitais contaminados pelo tabaco. Também apresentou maços de cigarros com mensagens de alerta, recipientes com alcatrão e uma caveira “fumante”. A atividade integra o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) coordena o programa, oferecido gratuitamente pelo SUS. Em Arujá, a iniciativa conta com a parceria da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

Além de Dario Oliveira, a equipe responsável pelo programa no município reúne a médica clínica geral Cristina Pracchia Roberto e o assistente social Carlos Beserra Barreto. A ação também busca estimular a reflexão sobre os danos causados pelo tabagismo.

Neste sábado (29), o Dia Nacional de Combate ao Fumo reforça esse alerta. A data também incentiva os fumantes a buscar ajuda para parar de fumar antes que uma interrupção inevitável ocorra por causa das consequências do tabagismo.

O programa recebe divulgação semanal nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Arujá. O atendimento, porém, ocorre exclusivamente no CAPS II do Barreto. Segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 265 moradores já participaram da iniciativa desde 2025.

Para aderir ao programa, o interessado não precisa fazer agendamento. Basta procurar informações diretamente no CAPS II ou pedir encaminhamento na UBS mais próxima de sua residência.

Após a adesão, o participante deve assistir à palestra. A equipe realiza o encontro todas as terças-feiras, a partir das 15 horas, no CAPS II do Barreto.

Tratamento

O tratamento reúne profissionais de Clínica Geral, Psicologia, Psiquiatria e Assistência Social. A equipe avalia cada participante individualmente e define o acompanhamento conforme cada caso.

Nos casos considerados mais graves, o paciente também recebe encaminhamento para um psiquiatra. O profissional avalia a necessidade de terapia medicamentosa e o eventual uso de adesivos de nicotina. Segundo a Secretaria de Saúde, a equipe suspende os adesivos conforme o paciente reduz a vontade de fumar.

Em casos leves, a pasta informa que a força de vontade e a disciplina podem ser suficientes. Cada turma reúne até 20 pessoas e o acompanhamento dura três meses.

Os participantes podem retornar ao programa caso tenham recaídas. A Secretaria de Saúde estima uma taxa de sucesso superior a 60% entre os participantes que abandonam o vício.

O médico Dario Oliveira explica que o programa não trata apenas da dependência de cigarros industrializados. Segundo ele, o trabalho também aborda o consumo associado de álcool e outras substâncias, como maconha e drogas sintéticas.

O profissional também chama atenção para cigarros eletrônicos, conhecidos como “vapes”, e para narguilés. Segundo Oliveira, esses produtos têm atraído principalmente os jovens.

Relatos

Durante a palestra, Dario Oliveira relatou o caso de um rapaz atendido em Arujá que começou a fumar aos cinco anos. Segundo o médico, o menino observava o avô fumar cigarro de palha e recebia dele a tarefa de acender o produto.

O paciente teria confundido o cigarro com uma “mamadeira” de que o avô gostava. Depois de experimentar uma tragada, passou a fumar cada vez mais. Para Oliveira, o caso mostra como crianças podem reproduzir comportamentos observados em pais, irmãos e avós.

O médico também citou o caso de uma mulher de 29 anos atendida pelo programa. Segundo ele, ela começou a fumar muito jovem e chegou a consumir dois maços por dia.

Oliveira afirmou que a paciente perdeu todos os dentes antes dos 30 anos e precisou gastar R$ 40 mil em implantes. “Os dentes todos dela caíram e ela teve que gastar R$ 40 mil em implantes, porque o cigarro estragou todos os dentes dela. Então, é só destruição”, relatou.

Menos vida

O médico também afirmou que cada cigarro fumado representa 14 minutos a menos de vida. Ele citou ainda o câncer entre as doenças relacionadas ao tabagismo e afirmou que aproximadamente 25% da população brasileira fuma.

Segundo Oliveira, os impostos pagos pelas empresas fabricantes de cigarros não cobrem os custos dos tratamentos das doenças relacionadas ao tabagismo.

Entre os participantes da palestra estava Ezequiel Formagi, de 68 anos. Ele considera parar de fumar e já marcou na agenda o retorno para outra palestra.

“Já faz um tempo que estou diminuindo. Comecei com 12 anos de idade e já está na hora de reduzir o fumo até parar”, comentou.

Juscilene Brito dos Santos também participou da atividade. Ela decidiu parar de fumar há seis anos e atribui parte da decisão à preocupação com os filhos.

“Não tinha mais ninguém para cuidar deles, então, eu resolvi lutar. Tenho 37 anos e tinha começado a fumar com 14 anos. Consegui parar porque tive força e opinião e com a ajuda dos médicos e da igreja, me libertei do vício”, comemorou.

Palestras gratuitas

As palestras do programa no CAPS II do Barreto são abertas ao público e não exigem agendamento. Os encontros ocorrem todas as terças-feiras, às 15 horas.

Quem deseja parar de fumar pode procurar a UBS mais próxima ou o CAPS II, na Rua Maria de Lourdes Victorino, 5, no Parque Rodrigo Barreto. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 4655-1550.

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