Especialista da UMC explica sinais de alerta do câncer de próstata

A campanha Novembro Azul chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular da saúde masculina. Com destaque para o câncer de próstata, a mobilização busca combater preconceitos, incentivar os homens a procurarem atendimento médico e ampliar o debate sobre doenças que podem evoluir silenciosamente.
Segundo o urologista Renato Chavasco, chefe da disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), a iniciativa representa uma oportunidade para conscientizar a população masculina sobre a necessidade de cuidar da saúde antes mesmo do aparecimento de sintomas.
“Cerca de 90% do câncer de próstata pode ser curado se descoberto em sua fase inicial”, destaca o especialista, que possui subespecialização em Uro-Oncologia.
Para Chavasco, a campanha também contribui para quebrar barreiras culturais que ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos.
“Este é o momento do ano em que o assunto entra na mesa de bar, na família e no consultório, e em que muitos homens fazem o primeiro exame da vida”, afirma.
Brasil deve registrar quase 78 mil novos casos por ano
O câncer de próstata está entre os principais desafios da saúde pública brasileira. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apresentadas para o período de 2026 a 2028, o país deve registrar aproximadamente 77.920 novos casos anuais.
A doença é o tipo de câncer mais incidente entre os homens brasileiros, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. O envelhecimento da população está entre os fatores associados à elevada ocorrência da doença.
O diagnóstico em estágio inicial é um dos principais fatores relacionados às possibilidades de tratamento e controle do câncer.
“Detectado em estágio inicial, quando ainda está confinado à glândula, o câncer de próstata tem alta chance de cura, com tratamentos que preservam a qualidade de vida. Quando descoberto em fase avançada, com metástase, a cura deixa de ser possível e o tratamento passa a ser paliativo. É a diferença entre uma doença curável e uma doença crônica e grave”, explica Chavasco.
Quando os homens devem procurar um urologista?
De acordo com o professor da UMC, a avaliação individual do risco é fundamental para definir quando iniciar o acompanhamento da saúde prostática.
O especialista aponta que a orientação usual é discutir a avaliação preventiva a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco e dos 45 anos para homens negros ou com histórico de câncer de próstata em parentes de primeiro grau, como pai ou irmão.
Nos casos de histórico familiar significativo, a orientação médica pode começar ainda mais cedo.
A decisão sobre a realização de exames de rastreamento deve considerar fatores como idade, antecedentes familiares, condições de saúde e os possíveis benefícios e riscos dos procedimentos, em diálogo com o profissional de saúde.
Sintomas do câncer de próstata exigem atenção
O câncer de próstata pode não apresentar sintomas em suas fases iniciais. Por isso, a ausência de sinais não significa necessariamente que não exista alguma alteração na glândula.
Entre os sintomas que merecem avaliação médica estão:
- Dificuldade para iniciar ou interromper a micção;
- Jato urinário fraco;
- Necessidade frequente de urinar durante a noite;
- Presença de sangue na urina ou no sêmen;
- Dores ósseas persistentes, especialmente na coluna e no quadril.
Essas manifestações também podem estar relacionadas a outras condições de saúde e não representam, isoladamente, um diagnóstico de câncer.
Entre os procedimentos utilizados na investigação estão o exame de sangue para dosagem do antígeno prostático específico (PSA) e o toque retal, indicados conforme a avaliação clínica.
Avanços nos tratamentos ampliam possibilidades de cuidado
As opções de tratamento para o câncer de próstata variam conforme o estágio da doença, as características do tumor e as condições clínicas de cada paciente.
Nos casos localizados, podem ser indicadas cirurgia, radioterapia ou vigilância ativa, especialmente quando o tumor apresenta baixo risco de progressão.
Para quadros avançados, existem alternativas como hormonioterapia, quimioterapia e tratamentos direcionados a características específicas da doença.
Segundo Chavasco, os avanços tecnológicos também trouxeram melhorias importantes aos procedimentos cirúrgicos.
“A tecnologia mudou muito a cirurgia. A robótica permite maior precisão, menos sangramento e recuperação mais rápida, com impacto direto na preservação da continência urinária e da função erétil”, explica.
Apesar dos avanços, a escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando benefícios, riscos e possíveis efeitos sobre a qualidade de vida.
Novembro Azul também incentiva o cuidado integral com a saúde masculina
Embora o câncer de próstata seja o principal tema historicamente associado ao Novembro Azul, a campanha também representa uma oportunidade para incentivar hábitos saudáveis e o acompanhamento de outras condições que afetam a população masculina.
Consultas periódicas, prática de atividades físicas, alimentação equilibrada e atenção à saúde cardiovascular e mental fazem parte dos cuidados que contribuem para o bem-estar e a qualidade de vida.
Para o professor da UMC, a principal mensagem da campanha é que procurar atendimento médico não deve ser interpretado como sinal de fragilidade.
“Ele pode eleger esse período para dedicar-se ao cuidado da sua saúde. Ter esse zelo não diminui a masculinidade, pelo contrário, é o que garante tempo de qualidade com quem se ama”, conclui.
A campanha Novembro Azul reforça, assim, que o cuidado com a saúde masculina precisa ser contínuo e não deve ficar restrito ao mês de novembro.














