Com Lula, centrais sindicais retomam protagonismo

Com Lula, as centrais sindicais retomaram protagonismo político com a volta dele e do PT ao Palácio do Planalto. Nos pouco mais de seis meses de mandato presidencial, sindicalistas vêm conseguindo obter postos estratégicos e influenciar decisões importantes do governo.

Várias ações apontam para essa retomada. A nomeação de João Fukunaga para presidir o maior fundo de pensão do país, a Previ — Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil —, que tem ativos de R$ 250 bilhões é uma delas. Outra é a indicação de sindicalistas para que integrem o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o Conselhão.

A destituição do presidente do Sebrae, Carlos Melles, para indicação do ex-deputado petista Decio Lima, com origem sindical também vai nesse caminho. Assim como a indicação do ex-presidente da CUT, Vagner Freitas, para presidir o Conselho de Administração do Sesi.

O convite para que sindicalistas integrassem a comitiva presidencial que esteve em março na China foi outro exemplo dessa retomada de protagonismo das centrais sindicais. Além disso, as centrais também têm conseguido se mobilizar e influenciar na agenda do governo Lula.

Um caso emblemático foi a redução da taxa de juros do consignado, liderada pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi, contra a vontade da equipe econômica. Os sindicalistas também conseguiram também contra a Fazenda um aumento maior para o salário mínimo e a retomada da política de valorização do salário mínimo.

Uma outra conquista posta em curso foi a criação de uma mesa tripartite entre governo, empresários e sindicatos. O objetivo é debater a revisão de pontos da reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer (MDB).

UGT

Ricardo Patah, presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT), integrou a comitiva de sindicalistas que acompanhou Lula, em viagem à China, em março. Ele lembrou que o objetivo foi ampliar o diálogo com representantes de empresas de comércio online, que vendem diretamente para o Brasil sem o pagamento de impostos.

Segundo Patah, isso tem causado enorme prejuízo à economia do País. Especialmente na geração de empregos. E, consequentemente, vem promovendo o fechamento de pequenas e médias empresas. “Nessas conversas fomos buscar alternativas para que esse tipo de comércio não prejudique os trabalhadores e as empresas brasileiras”.

CUT

O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Sérgio Nobre, também acompanhou Lula na viagem. Ele destacou que o fato de sindicalistas terem integrado a comitiva presidencial é mais uma mostra do abismo que separa o governo democrático de Lula do governo de ultradireita derrotado nas eleições de 2022, e de como a classe trabalhadora voltou ao Palácio do Planalto pela porta da frente.

“Lula é um estadista respeitado no mundo inteiro, que tem origem no movimento operário, na luta pela redemocratização do Brasil, sabe e reconhece a importância de o país ter sindicatos fortes para uma democracia também fortalecida”.

Força Sindical

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, voltou do encontro confiante em mais investimentos da China em nosso País: “Avançamos nos entendimentos pra instalar aqui uma fábrica de ônibus elétricos”, ele conta. A delegação brasileira também visitou os escritórios da Huawei, poderosa empresa do ramo de celulares e tecnologia.

Torres ainda ressaltou que o governo Lula está pavimentando novamente a estrada destruída por governos anteriores. “Hoje temos um reajuste real no salário mínimo e aumento na isenção do Imposto de Renda. Pode não ser o ideal, mas é o que pode ser feito hoje, por um governo que, com certeza, pensa nos mais humildes e quer proporcionar uma vida digna para todos”.

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