Câmara entrega prêmio a produtores na Akimatsuri
Agricultores recebem Prêmio Junji Abe em Mogi. "Câmara Municipal de Mogi das Cruzes."

A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes realizou neste sábado (11) a entrega do Prêmio Junji Abe – Produtor Rural do Ano, durante a abertura da Festa Akimatsuri 2026. A homenagem atende à Lei Municipal 8.327, de 20 de março de 2026, e passa a integrar oficialmente o calendário anual de reconhecimento ao setor agrícola local.

Além disso, quatro produtores rurais foram homenageados com certificados e placas comemorativas. Os nomes foram indicados por entidades representativas do setor, com o objetivo de valorizar o trabalho dos agricultores mogianos. Dessa forma, a proposta é que o tributo seja concedido anualmente a novos destaques da produção rural.

O ex-prefeito Junji Abe, que dá nome ao prêmio, destacou a relevância histórica e econômica da atividade agrícola no município. Segundo ele, os produtores rurais têm papel fundamental no desenvolvimento de Mogi das Cruzes e na segurança alimentar da região. “Esse é um prêmio que estamos entregando para os produtores rurais, é uma homenagem à nossa ancestralidade. Foi aqui em Mogi das Cruzes implantada a policultura, que se estende a cogumelos, frutas, verduras etc. É um momento cultural de extrema importância para o nosso município”, afirmou.

Entrega

Da mesma forma, o vereador Pedro Komura (União Brasil) ressaltou a importância do setor. De acordo com ele, os produtores rurais são parte essencial da identidade local, contribuindo para a oferta de alimentos de qualidade, geração de renda e preservação das tradições. “Os produtores rurais são parte essencial da identidade de Mogi das Cruzes, garantindo alimento de qualidade, geração de renda e preservação das tradições locais”, disse.

A entrega do Prêmio Junji Abe foi realizada pelos vereadores professor Edu Ota (Pode), Vitor Emori (PL) e Pedro Komura.

Neste ano, os homenageados foram Yoshikuni Nomura, Maria José Marques da Silva, Tadao Ogawa e Paulo Miquio Honda. As indicações foram feitas pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e pela Associação dos Produtores Rurais do Distrito de Jundiapeba (Aprojur).

Homenageados

Yoshikuni Nomura nasceu em 1933, no Japão, e chegou ao Brasil em 1958, desembarcando no porto de Santos. Antes de se estabelecer em Mogi das Cruzes, viveu em São José dos Campos, onde trabalhava com o cultivo de verduras. Em 1960, mudou-se para o município ao lado de seu patrão, passando a atuar no bairro do Itapeti com granja, produção de ovos e plantio de frutas.

Posteriormente, casado com Ei Takano, com quem teve quatro filhos, Nomura administrou por nove anos a propriedade de seu sogro. Em seguida, com apoio familiar, adquiriu sua própria área rural, iniciando o cultivo de caqui, verduras e ponkan. Em 1978, passou a investir na produção de flores, utilizando granjas desativadas.

Além disso, em 1987, foi um dos fundadores da Associação de Floricultores da Região da Dutra (Aflord). Também participou da organização de eventos e exposições de flores, atividades das quais ainda participa, apesar das limitações impostas pela idade. Atualmente, na festa da Aflord, segue contribuindo com a confecção de vasinhos de bambu. Em 1991, presidiu a Associação do Bairro do Itapeti e, por 30 anos, dedicou-se à produção de caquis.

Trajetórias

Maria José Marques da Silva nasceu em Pernambuco e iniciou o trabalho no campo aos sete anos de idade, ajudando os pais, Pedro Marques e Maria Cecília da Silva. Em 2007, chegou a Mogi das Cruzes, a convite da mãe e da irmã, que já moravam no Conjunto Santo Ângelo.

No entanto, ao longo da trajetória, enfrentou dificuldades financeiras e condições precárias de moradia, vivendo com o filho em um único cômodo. Também sofreu prejuízos com a produção de cebolinha, cultura sensível à umidade, o que aumentava sua vulnerabilidade econômica.

A mudança ocorreu a partir de 2019, quando, junto a produtores da região, fundou a COOPASAT (Cooperativa dos Produtores Agrícolas Solidários do Alto Tietê). Com isso, os associados passaram a adotar técnicas modernas de cultivo. A partir de 2021, Maria migrou para métodos alternativos de produção, eliminando insumos químicos, o que trouxe benefícios à saúde e à qualidade da lavoura. Atualmente, produz mais de 15 variedades de verduras em sistema agroecológico.

Atuação

Tadao Ogawa nasceu em 1936, na cidade de Lins, interior paulista. Inicialmente, iniciou sua trajetória na agricultura com o cultivo de verduras e a criação de granja. Em 1955, participou da abertura de uma nova propriedade rural em Mogi das Cruzes, em uma área ainda coberta por mata.

Posteriormente, começou com a produção de batatas e hortaliças e, em seguida, expandiu para a fruticultura, cultivando pêssego, goiaba, ponkan, caqui e nêspera. Ao longo dos anos, destacou-se pela qualidade da produção e pelo envolvimento no desenvolvimento do setor agrícola.

Além disso, participou de diferentes gestões do Conselho Municipal de Agricultura e teve atuação relevante na organização da Festa do Pêssego e nas atividades do Bunkyo. Também integrou a Associação dos Fruticultores da região (Kadju-Kenkyukai), atuou na diretoria do Sindicato Rural de Mogi e foi diretor da Cooperativa de Telefonia Rural de Mogi.

Desde 1959, é casado com Massako Ogawa, com quem teve cinco filhos e, aos 89 anos, segue ativo na fruticultura.

Liderança

Paulo Miquio Honda nasceu em 1948, em Guarulhos, e teve inspiração na agricultura a partir do trabalho do avô materno, Sogoro Suzuki. No fim da década de 1950, seu pai, Fumihiko Honda, adquiriu uma propriedade rural no bairro Rio Acima, em Mogi das Cruzes, onde iniciou atividades voltadas à olericultura orgânica.

Assim, a prática, baseada no cultivo sem uso de agrotóxicos, tornou-se referência regional. Em julho de 1977, Paulo casou-se com Minako Honda, com quem teve quatro filhos. Em 2000, conquistou a Certificação de Produtor de Hortifruti e Fungicultura Orgânica, sendo um dos pioneiros da modalidade no Alto Tietê.

Além da atuação no campo, Honda teve participação na vida pública e associativa. Em 1976, foi eleito vereador em Biritiba Mirim. Também foi o segundo presidente da APROATE (Associação dos Produtores de Orgânicos do Alto Tietê), presidiu por seis mandatos a Associação dos Agricultores do Rio Acima, ocupou o cargo de vice-presidente do Bunkyo e foi presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes.

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