Câmara de Mogi debate projetos estudantis do Ensino Médio

A proteção animal, a prevenção às apostas entre adolescentes, o combate à violência nas escolas, a acessibilidade urbana e o incentivo à ciência estão entre os temas dos 23 projetos estudantis apresentados por alunos do Ensino Médio no Parlamento Estudantil de Mogi das Cruzes. As propostas foram discutidas durante sessão realizada nesta quinta-feira (29), na Câmara Municipal, como parte da 16ª edição da iniciativa.
Os trabalhos ocorreram pela manhã, no auditório Tufi Elias Andery, e reuniram projetos voltados a diferentes demandas do município, incluindo educação, saúde, inclusão, segurança, mobilidade, meio ambiente, esporte e assistência social.
Antes da sessão, os 23 participantes elegeram a Mesa Diretiva que conduziu os trabalhos. Maria Julia Martins de Santana assumiu a presidência, Pedro Soares de Pinho Souza Leite ficou com a vice-presidência, Jullia Claire da Silva Lima foi escolhida primeira secretária e Pedro Souza Dias, segundo secretário.
A atividade contou com a participação da presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara, vereadora Malu Fernandes (PL), e da integrante do colegiado, vereadora Inês Paz (PSOL).
Malu Fernandes destacou a participação dos estudantes.
“Os alunos votaram para eleger a mesa diretiva. Estou muito feliz em receber todos vocês para mais uma sessão ordinária do Parlamento Estudantil”, afirmou.
Inês Paz também deu as boas-vindas aos participantes. “É importante ver esta Casa cheia e bem representada. Espero que vocês tenham uma excelente experiência hoje”.
Proteção e cidadania
Entre os projetos apresentados, Carlos Eduardo dos Santos Filho, da Etec Presidente Vargas, propôs a destinação de recursos a instituições que realizam o resgate e o cuidado de animais em situação de vulnerabilidade. A proposta prevê apoio financeiro a entidades com mais de um ano de serviços prestados.
“Minha intenção é ajudar as ONGs, principalmente os animais de rua. Segundo a ONG Fera, existem cerca de 40 mil pets abandonados em nossas ruas. A distribuição da verba seria para entidades com mais de um ano de serviços prestados. Infelizmente, o número de animais em condições vulneráveis tende a crescer”, afirmou.
Elisa Gavazzi Barros, do Millenium Construtivo, apresentou o Programa Municipal de Conscientização e Prevenção aos Riscos das Apostas para Crianças e Adolescentes. A iniciativa busca alertar sobre os efeitos das apostas on-line, incluindo endividamento e sofrimento psicológico.
“Ninguém na política chega em algum lugar sem ajuda de outras pessoas. Meu projeto tem como objetivo conscientizar preventivamente. A ideia surgiu por causa do recente crescimento das apostas online. Além do endividamento, as apostas causam sofrimento psicológico, inclusive ideação e tentativa de suicídio”, declarou.
Bulling
Na área de proteção aos estudantes, Isabela Cristina dos Santos Conceição, da Escola Estadual Dora Peretti, propôs a implementação da Política Municipal de Prevenção ao Bullying, Cyberbullying e a todas as formas de assédio e de fomento.
Luis Fernando Fidalgo de Oliveira, da Escola Estadual Sylvia Mafra Machado, apresentou a criação do Canal Municipal de Denúncias Estudantis (CMDE), destinado ao registro de diferentes situações enfrentadas pelos alunos.
“Pensem num aluno sofrendo violência no ambiente escolar, por parte dos colegas ou até profissionais que deveriam proteger esse estudante. Com esse canal, será possível registrar os casos de violência com maior proteção. Abuso de poder, assédio, má gestão, enfim, esses casos todos poderiam ser relatados em um único lugar. O canal poderia ser um aplicativo ou um site, de fácil acesso. Com as redes sociais, a gente divulgaria a existência desse canal”, explicou.
João Vitor Marinho Stabile, da Escola Estadual Irene Caporali de Souza, defendeu a criação da Política Municipal de Acessibilidade e Inclusão Urbana, com medidas para garantir acesso igualitário aos espaços e serviços da cidade.
“Meu objetivo é garantir a mobilidade de cadeirantes, deficientes visuais e auditivos, entre outras pessoas, por meio de um planejamento voltado à acessibilidade de todos”, afirmou.
Educação e mobilidade
O incentivo à ciência nas escolas foi tema da proposta de Jullia Claire da Silva Lima, da Escola Comendador Koheiji Adachi. O projeto prevê a criação do Programa Municipal de Incentivo à Ciência na Escola, com a realização anual de uma Olimpíada de Ciências e de uma Feira de Ciências nas unidades da rede pública municipal.
Maitê Carolyne de Carvalho Dias, do Espaço Educacional Saber Mogi, propôs o projeto Mogi Lê em Movimento, com a implantação de uma biblioteca móvel para ampliar o acesso à leitura e à cultura em diferentes regiões.
Ana Clarice Vieira Cavalcante, da Escola Paulo Ferrari Massaro, sugeriu a criação do programa Corredor Escolar Seguro, voltado às escolas municipais e estaduais.
Na área de mobilidade, Maria Julia Martins de Santana, da Escola Galdino Pinheiro Franco, apresentou a proposta de instituição do Passe Livre Estudantil.
Gustavo Eiti Nishibori, da Escola Sentaro Takaoka, propôs o programa Embarque Seguro Rural, com medidas para aumentar a segurança dos usuários do transporte coletivo em rodovias, estradas rurais e vias públicas.
Henrique Horita de Oliveira, do Colégio Objetivo, defendeu a obrigatoriedade de banheiros públicos e gratuitos em locais estratégicos, como praças e parques.
Maitê Romanos Bacan, da Maple Bear, apresentou o Programa Centro Vivo, que prevê incentivos fiscais para estimular a reabertura de estabelecimentos comerciais e atrair moradias para o Centro Histórico e Comercial de Mogi.
Saúde e assistência social
As propostas também contemplaram o atendimento a diferentes públicos. Mayara Maximila de Jesus Lima, da Escola Laurinda Cardoso Mello Freire, apresentou diretrizes para fortalecer o acompanhamento nutricional de pessoas em tratamento oncológico na rede municipal de saúde.
Nicolas Pinheiro Coutinho, da Escola Camilo Faustino de Mello, propôs a criação do Programa Municipal de Apoio e Recomeço às Mulheres em Situação de Violência.
Pedro Souza Dias, do Náutico Mogiano, apresentou o Programa Municipal de Acolhimento à Criança e ao Adolescente, denominado Acolher Mogi.
Na área de turismo, Matias Alejandro Barrueco Vidal, do Colégio Gutenberg, propôs medidas para incentivar o turismo rural no município.
Esporte e memória
A valorização da história local também apareceu entre as propostas. Alice Prestes Morais, do Colégio Guarani, teve selecionado o projeto de instituição da Semana da Memória e dos Patronos dos Espaços Públicos.
“Nossa intenção é entender melhor nosso passado para, a partir dele, construir a Mogi das Cruzes que queremos para o futuro”, afirmou.
Nicoly Gomes Menezes, da Escola Frei Thimoteo Van Den Broeck, propôs o fortalecimento do policiamento preventivo nas proximidades das unidades escolares.
No esporte, Larissa Leda dos Santos Borges, da Escola Enedina Gomes de Freitas, propôs o programa Mais Esportes, Mais Vida. O objetivo é ampliar as práticas esportivas e promover a integração estudantil.
Otávio Augusto dos Reis Celso, do Colégio Placidina, apresentou a Política Municipal de Esporte Escolar e Comunitário Esporte para Todos, destinada a ampliar o acesso à prática esportiva.
Pedro Soares de Pinho Souza Leite, do Colégio Santa Mônica, propôs o projeto Virada de Chave, que prevê a criação do Selo Empresa Parceira do Projeto Virada de Chave.
Thales Yuji Rezende Fujita, do Instituto Educacional NEC, sugeriu a criação da Semana Municipal de Valorização do Jiu-Jitsu e das Artes Marciais.
Vitor Freitas da Silva, da Escola José Sanchez Josende, apresentou o projeto Bairro Dignidade na Chácara do Baiano.
Encerramento
Ao encerrar os trabalhos, a presidente do Parlamento Estudantil, Maria Julia Martins de Santana, destacou a experiência de participar da sessão e elogiou as propostas dos colegas.
“Eu fiquei muito surpresa porque achei que eu não teria capacidade de estar aqui. Mas foi uma grande conquista. Foi muito bom. Parabenizo a todos porque os projetos foram muito bem construídos, com o objetivo de melhorar a nossa Cidade”, afirmou.
O Parlamento Estudantil é uma iniciativa da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes que aproxima os jovens do funcionamento do Poder Legislativo. Por meio do projeto, os participantes elaboram propostas e participam de eleições para a Mesa Diretiva. Eles também defendem suas ideias em sessões parlamentares, vivenciando práticas de debate democrático e participação cidadã.














