Homenagem da Câmara São Paulo reconhece trabalho de policiais
trabalho desenvolvido pelos profissionais ganhou destaque pelo desfecho do caso de Samuel Gustavo (Douglas Ferreira | REDE CÂMARA SP)

A cidade de São Paulo homenageou, na manhã desta segunda-feira (29/06), o escrivão de polícia Carlos Renato de Queiroz Bürger e a delegada Bárbara Lisboa Travassos com a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. A homenagem foi realizada durante Sessão Solene da Câmara Municipal, por iniciativa da vereadora Janaina Paschoal (PP), com coautoria do vereador Silvinho Leite (UNIÃO), em reconhecimento aos serviços prestados pelos dois profissionais à segurança pública e ao município.

Concedidas em conjunto, a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo reconhecem paulistanos que tenham prestado relevantes serviços à capital.

Reconhecimento

Durante a cerimônia, Janaina Paschoal destacou o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e afirmou que a homenagem simboliza o reconhecimento a profissionais que atuam de forma discreta, mas com impacto direto na vida das famílias.

“O DHPP – Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa – é a investigação por excelência. É uma delegacia muito diferenciada, é o coração da investigação do estado. Estamos aqui para dizer que o trabalho invisível é visto. A cidade enxerga, reconhece e agradece. São servidores que não se contentaram com o arquivamento de um caso e deram uma resposta à família, mesmo anos depois. Isso é servir São Paulo”, afirmou a vereadora.

Carlos Renato de Queiroz Bürger ganhou a Medalha Anchieta por meio do Decreto Legislativo nº 29/2026. Escrivão de polícia, ele já atuou na 2ª Delegacia de Homicídios, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e atualmente integra a 5ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas, da Divisão de Proteção à Pessoa.

Em seu discurso, Bürger afirmou que a homenagem representa o reconhecimento ao trabalho desenvolvido diariamente pela equipe da Delegacia de Pessoas Desaparecidas.

“Receber essa homenagem pelo trabalho que a gente faz todos os dias na Delegacia de Desaparecidos é a confirmação de que vale a pena não desistir de nenhuma família. Cada caso é uma vida, é uma história. Gostaria de dedicar essa medalha ao senhor Sandro José, pai de Samuel. Um pai esforçado, dedicado. Eu me coloquei no lugar dele”, declarou, emocionado.

Investigação

A delegada Bárbara Lisboa Travassos recebeu a homenagem por meio do Decreto Legislativo nº 22/2026. Titular da 5ª Delegacia de Pessoas Desaparecidas, ela completou 19 anos de efetivo exercício na Segurança Pública do Estado. Em agosto de 2024, também recebeu a Medalha “Doutor Coriolano Nogueira Cobra” pelos 10 anos de atuação como docente da Academia de Polícia.

Ao agradecer a homenagem, Bárbara dividiu o reconhecimento com toda a equipe da unidade.

“Essa medalha não é só minha e do escrivão Bürger. É de toda a 5ª Delegacia. Todos os nossos policiais estão lá, porque gostam do que fazem. Nosso compromisso é não deixar nenhum desaparecido virar estatística. Enquanto houver uma possibilidade, nós vamos investigar”, afirmou.

O trabalho desenvolvido pelos dois profissionais ganhou destaque pelo desfecho do caso de Samuel Gustavo.

Samuel saiu de uma festa na zona sul de São Paulo em 9 de dezembro de 2017 e não retornou para casa. Cinco dias depois, em 14 de dezembro de 2017, a Polícia encontrou um corpo no Rio Pinheiros, nas proximidades da Avenida Guido Caloi. Em avançado estado de decomposição e sem impressões digitais, a vítima acabou enterrada como desconhecida no Cemitério Dom Bosco, em Perus.

Embora o inquérito policial tenha sido arquivado, o caso permaneceu em investigação na 5ª Delegacia de Pessoas Desaparecidas. Em 2024, a delegada Bárbara Travassos determinou que Carlos Renato de Queiroz Bürger reavaliasse todo o material disponível.

Mais detalhes

Durante a nova análise, o escrivão consultou o site do Serviço Funerário da Prefeitura e encontrou o registro de uma pessoa sepultada sem identificação, cujas características físicas eram compatíveis com Samuel, incluindo barba preta marcante, uma pinta próxima ao nariz, além de calça e tênis pretos.

“Quando vi o laudo e as fotos, algo me chamou atenção. Pedi o desarquivamento e a exumação”, explicou Bürger.

Após a realização de exames de DNA, o Instituto de Criminalística concluiu, em laudo emitido em 28 de maio de 2025, que havia 99,99977% de probabilidade de o corpo ser filho de Maria Aureliano de Andrade e Sandro José de Andrade, pais de Samuel. A conclusão oficial da identificação aconteceu em maio de 2025.

“Depois de mais de sete anos sem resposta, conseguimos dar um desfecho à família. Foi um trabalho técnico, mas também humano”, destacou a delegada.

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