Santo André é reconhecida por avanços no cuidado à DPOC

Santo André recebeu, nesta sexta-feira (30), o selo Esmeralda e o título de Cidade Abraçar, reconhecimento concedido a municípios que se destacam na melhoria do diagnóstico e no cuidado aos pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A certificação foi entregue em cerimônia realizada no Salão Burle Marx do Paço Municipal e reflete o cumprimento de mais de 80% dos critérios técnicos exigidos pelo programa.
O reconhecimento ocorre após o município registrar uma redução de 32,54% no número de internações por doenças respiratórias, resultado atribuído à reorganização da rede de atenção à saúde e ao fortalecimento do cuidado na Atenção Primária.
Coordenado pela Boehringer Ingelheim, o Programa Abraçar apoia cidades de todo o país na implantação de uma linha de cuidado respiratória estruturada, com foco no diagnóstico precoce, na organização dos fluxos assistenciais e na qualificação das equipes de saúde.
“Sou cidadã de Santo André e fico muito feliz em saber que a cidade olha para esses pacientes com tanto carinho. Com equidade e integralidade, o município conseguiu reduzir o tempo de espera por atendimento e estabelecer um fluxo para um cuidado mais efetivo. Essas ações precisam ser reconhecidas”, destacou Paola de Cassia Begliomini, coordenadora do Programa Abraçar.
Entre as ações que contribuíram para a certificação estão o mapeamento da jornada do paciente respiratório obstrutivo, a identificação e correção de gargalos assistenciais, a capacitação de ao menos 50% das equipes da Atenção Primária para o acompanhamento de casos crônicos com prioridade para os mais graves, além da reorganização do fluxo de solicitação e acompanhamento do exame de espirometria, fundamental para o diagnóstico da DPOC.
Os dados apresentados pelo município mostram avanços significativos. De 2024 para 2025, o número de internações por doenças respiratórias caiu de 209 para 141. No mesmo período, a média de permanência hospitalar foi reduzida em 3,80%, passando para 7,6 dias, enquanto a taxa de mortalidade caiu 19,70%, de 11,48% para 9,22%.
Entre janeiro e novembro de 2025, foram realizadas 871 espirometrias na Policlínica Centro e no caminhão do programa Saúde em Movimento. Em cerca de 50% dos exames foram identificadas alterações respiratórias, possibilitando o encaminhamento e acompanhamento adequado dos pacientes na rede municipal.
Para o prefeito Gilvan Ferreira, o selo reflete uma política pública construída de forma contínua. “Esse reconhecimento confirma que estamos no caminho certo ao investir em planejamento, qualificação das equipes e organização dos fluxos de atendimento, sempre com foco na saúde e na qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
A secretária adjunta de Saúde, Vanessa Crispim, também destacou o trabalho das equipes. “Mesmo diante dos desafios do dia a dia, esse reconhecimento mostra que estamos avançando na promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação dos pacientes com DPOC, com responsabilidade e compromisso com a sustentabilidade do SUS”, ressaltou.
No Brasil, estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas convivam com a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, mas apenas 12% são diagnosticadas, geralmente a partir dos 40 anos. A DPOC engloba doenças como enfisema pulmonar e bronquite crônica, tendo como principais fatores de risco o tabagismo, a poluição e predisposição genética.
Desde 2018, o Programa Abraçar atua em parceria com municípios de todo o país, oferecendo consultoria técnica gratuita. As cidades que atingem os critérios estabelecidos recebem selos de reconhecimento Esmeralda, Safira, Jade ou Diamante de acordo com o nível de avanço e comprometimento com o cuidado respiratório.









