Nigerianos sobrevivem 11 dias no leme de um navio

Nigerianos sobrevivem por 11 dias viajando em leme de navio. A guarda costeira espanhola resgatou três pessoas que estavam escondidas no topo do leme de um navio que chegou às Ilhas Canárias vindo da Nigéria.
Numa fotografia divulgada pela guarda costeira, os imigrantes aparecem empoleirados no leme do petroleiro químico Althini II.
O Althini II chegou a Las Palmas, em Gran Canaria, na segunda-feira, após uma viagem de 11 dias de Lagos, na Nigéria. A informação é do Marine Traffic, um site de rastreamento de navios.
Os imigrantes receberam atendimento dos serviços de saúde, disse a guarda costeira no Twitter.
As Ilhas Canárias, de propriedade espanhola, são uma porta de entrada popular, mas perigosa, para imigrantes africanos que tentam chegar à Europa.
Desde 2014, por volta de 3 mil migrantes morreram ou estão desaparecidos depois de tentar cruzar da África para o arquipélago por mar, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações.
No ano passado, mais de 20 mil imigrantes cruzaram a costa da África Ocidental para as Ilhas Canárias. Segundo a Cruz Vermelha, mais de 1.100 dessas pessoas morreram no mar.
Em 2020, quatro clandestinos nigerianos sobreviveram 10 dias no mar. Eles estavam escondidos em um compartimento acima do leme de um petroleiro norueguês que viajou de Lagos a Las Palmas, segundo a mídia norueguesa.
No mesmo ano, um nigeriano de 14 anos contou ao jornal espanhol El Pais uma experiência semelhante. Ele se escondeu por 15 dias em um quarto no topo do leme de um cargueiro que também seguia para as Ilhas Canárias.
Pobreza, conflitos violentos e a busca por oportunidades de trabalho continuam a alimentar a migração para fora da África Ocidental, diz a Cruz Vermelha.
Deportação
A Polícia espanhola devolveu dois dos três imigrantes resgatados ao navio na terça-feira, 29, para serem deportados. Segundo a lei espanhola, apenas imigrantes com solicitação de asilo político tem direito a permanecer no país. tem que ser devolvido pelo operador do navio ao porto de origem da viagem, disse um porta-voz da polícia.
Um porta-voz da polícia das Ilhas Canárias disse que cabe ao operador do navio cuidar dos passageiros clandestinos, fornecer-lhes acomodações temporárias e devolvê-los à origem o mais rápido possível.
Segundo Helena Maleno, diretora da organização não-governamental de migração Walking Borders, os imigrantes deveriam, pelo menos, ter sido informados do seu direito de pedir asilo político e deveriam ter sido interrogados antes de serem devolvidos ao navio.
“As condições da viagem já são um indicativo de que algo muito sério pode estar por trás disso. Nunca vimos condições como está onde eles chegaram com vida”, disse Maleno.
Nigerianos sobrevivem por 11 dias viajando em leme de navio










