Guarulhos usa arte em formação contra o racismo
O encontro contou com a participação de artistas e educadores. "Foto: Gezer Amorim /PMG"

GUARULHOS – A Secretaria de Educação de Guarulhos promoveu, na terça-feira (11), uma formação de professores da rede municipal com foco no uso da arte e da cultura para uma educação antirracista. O evento, parte do “Novembro Negro 2025”, destacou como linguagens artísticas como fotografia, capoeira e maracatu podem ser poderosos instrumentos pedagógicos de afirmação identitária e combate ao racismo.

O encontro contou com a participação de artistas e educadores. A fotógrafa e professora Camila Rhodes, que iniciou sua carreira na rede em 2012, apresentou a palestra “A arte da fotografia, a educação e o olhar sensível”. Ela defendeu a imagem como uma ferramenta para “educar o olhar e ressignificar o mundo”, traduzindo o olhar pedagógico em linguagem visual. A atriz e cineasta Pamela Regina complementou a discussão, abordando como elementos do universo urbano, como som e movimento, são incorporados pela escola.

No período da tarde, a formação de professores foi mediada pela professora Gleicy Lopes e teve a participação do Mestre Aurélio Baraka, professor de Educação Física que desenvolve trabalhos com capoeira nos CEUs. Baraka discutiu o ensino da capoeira no ambiente escolar como expressão de arte, corpo e movimento. Já a professora Talita dos Anjos falou sobre o maracatu como um lugar de movimento e resistência no contexto de uma educação antirracista, enfatizando sua conexão com a ancestralidade.

Troca de experiências entre coordenadores

A programação formativa havia começado na quinta-feira (6), com um encontro dedicado a coordenadores pedagógicos e tutores. No teatro do Centro Municipal de Educação Adamastor, profissionais de diferentes escolas compartilharam práticas de educação antirracista.

Representantes da EPG Edson Nunes Malecka apresentaram os resultados de uma pesquisa-ação que investiga como o racismo se manifesta no contexto escolar. Na EPG João Balbino, a coordenadora Paula Geraldelli detalhou ações para a implementação das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Um dos destaques foi a apresentação dos livros produzidos por alunos do 5º ano da EPG Castelo Hanssen. Intitulada “Heróis Negros”, a coleção foi resultado do projeto anual “Um Castelo de Sonhos”, onde cada criança criou uma obra com seis biografias escritas e ilustradas com a ajuda dos pais.

A doutoranda Carla Francisco (Unifesp) encerrou o compartilhamento, reforçando a importância da educação antirracista e do uso da literatura como ferramenta de alfabetização e letramento, envolvendo as relações étnico-raciais. A iniciativa reforça o compromisso da rede municipal com uma formação de professores contínua e alinhada com as diretrizes da educação para as relações étnico-raciais.

Tagged: , , , ,

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.