Vereadores aprovam Moção de Repúdio em defesa da Educação

A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovou, na última sessão ordinária uma Moção de Repúdio contra declarações atribuídas à ex-dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, Roselaine Batalha Silva. O documento cita supostas manifestações de enaltecimento a Adolf Hitler e Benito Mussolini.
A Moção de Repúdio foi apresentada pela Comissão Permanente de Educação do Legislativo. O colegiado é formado pelas vereadoras Malu Fernandes (PL), presidente da comissão, Priscila Yamagami (PL) e Inês Paz (PSOL), além dos vereadores Edu Ota (Podemos) e Johnny da Inclusão (Avante).
Segundo o documento aprovado, Roselaine teria recomendado biografias de Hitler e Mussolini durante uma reunião virtual realizada em 12 de agosto com diretores de escolas da rede estadual. De acordo com a moção, ela apresentou as obras como referências consideradas “estimulantes de liderança”.
Ainda segundo o texto aprovado, notícias publicadas pela imprensa apontaram que a então dirigente teria classificado Hitler como um “líder excepcional” e o livro “Mein Kampf” como “leitura inspiradora”. As manifestações teriam ocorrido apesar do reconhecimento dos crimes cometidos pelo ditador nazista.
A moção também afirma que as declarações atribuídas à ex-dirigente não teriam ocorrido de forma isolada. O documento cita outras reuniões conduzidas por Roselaine.
Debate
Durante a discussão da matéria, a vereadora Inês Paz, professora aposentada da rede estadual, criticou a atuação do governo paulista e relacionou o episódio às condições de trabalho dos profissionais da Educação.
“Pressionamos, e o governador teve que retirá-la do cargo. As palavras dela refletiram a conivência do Governo do Estado, já que o posto de diretora é uma indicação do governador. Nossos profissionais estão adoecendo com tanto assédio da diretoria”, afirmou.
Presidente da Comissão de Educação e autora da moção, Malu Fernandes discordou da avaliação sobre o governador. Ela destacou a retirada da dirigente do cargo e afirmou que a proposta busca apoiar profissionais da área.
“Discordo sobre a opinião da vereadora Inês Paz sobre o governador. Tanto que ele removeu a referida dirigente do cargo. Minha Moção é um apoio aos nossos gestores e demais profissionais de Educação. Precisamos combater a verdadeira epidemia de saúde mental que acomete nossos educadores”, declarou.
A vereadora Priscila Yamagami, também integrante da comissão e professora, defendeu um debate mais amplo sobre os problemas enfrentados pela Educação. Para ela, os educadores precisam dar exemplo, mas a crise do setor também exige uma discussão mais profunda.
“Educadores são pessoas que devem dar o exemplo. Mas hoje não podemos mais passar o pano sobre a crise da Educação. Não é só em São Paulo, mas em todo o país. Precisamos discutir a educação de forma mais intensa. Os professores estão adoecidos sim. É preciso um debate profundo”, afirmou.














