UMC alerta para sinais do câncer colorretal e diagnóstico precoce

A lembrança do primeiro ano da morte da cantora Preta Gil voltou a chamar a atenção para um tema que ainda enfrenta barreiras de informação no Brasil: o câncer colorretal. Considerado o segundo tumor de maior incidência no País, a doença continua crescendo, principalmente devido ao desconhecimento da população sobre seus primeiros sinais e à demora em procurar atendimento médico.
O alerta é do médico coloproctologista Carlos Mateus Rotta, professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Segundo o especialista, o câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa, dificultando o diagnóstico precoce quando os exames preventivos não fazem parte da rotina.
“O câncer colorretal costuma ser chamado de ‘silencioso’ porque, nas fases iniciais, geralmente não provoca sintomas. O tumor pode crescer lentamente durante anos, muitas vezes a partir de um pólipo benigno, sem causar dor ou alterações perceptíveis. Esses pólipos podem ser identificados e removidos durante uma colonoscopia antes de se transformarem em câncer e é por essa razão que esse tipo de rastreamento é tão importante e eficaz”, explica Rotta.
O especialista possui mestrado e doutorado em Gastroenterologia Cirúrgica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
Colonoscopia deve entrar na rotina a partir dos 45 anos
De acordo com o professor da UMC, pessoas sem fatores de risco devem iniciar o rastreamento anual a partir dos 45 anos. Já indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias precisam começar o acompanhamento mais cedo, sempre com orientação de um coloproctologista.
A recomendação ganha ainda mais importância diante do aumento de casos entre adultos jovens, especialmente pessoas com menos de 50 anos. Segundo Rotta, o crescimento está relacionado principalmente às mudanças no estilo de vida, como obesidade, sedentarismo e alimentação rica em alimentos ultraprocessados e carnes processadas.
“Fazer o exame no momento adequado pode significar evitar o câncer ou diagnosticá-lo em fase inicial, quando as chances de cura ultrapassam 90%”, destaca.
Sinais de alerta não devem ser ignorados
Embora muitas vezes não apresente sintomas no início, alguns sinais podem indicar alterações importantes e exigem avaliação médica imediata.
Entre os principais sintomas estão:
- sangue nas fezes;
- alteração persistente do hábito intestinal;
- diarreia ou prisão de ventre frequentes;
- alternância entre diarreia e constipação;
- fezes afiladas;
- sensação de evacuação incompleta;
- perda de peso sem explicação;
- anemia;
- dor abdominal persistente.
“O erro mais comum é atribuir todo sangramento às hemorroidas. Embora elas sejam frequentes, somente um exame com o coloproctologista pode confirmar sua origem. Sangramento retal nunca deve ser ignorado”, alerta.
Tratamentos evoluíram e aumentam as chances de sucesso
Quando identificado, o tratamento varia conforme o estágio e a localização do tumor, podendo incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
Segundo Rotta, os avanços da medicina também têm proporcionado novas possibilidades terapêuticas.
“E agora, a ciência trouxe avanços importantes. O tratamento personalizado permite identificar alterações moleculares específicas do tumor e indicar terapias-alvo para determinados pacientes. Além disso, a imunoterapia revolucionou o tratamento dos tumores com deficiência do sistema de reparo, proporcionando respostas do DNA prolongadas e, em alguns casos, evitando tratamentos mais agressivos. Esses avanços representam uma das maiores evoluções da oncologia colorretal nas últimas décadas”, afirma.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Além da realização dos exames preventivos, o docente da UMC reforça que hábitos saudáveis continuam sendo um dos principais aliados na redução dos riscos da doença.
Entre as recomendações estão manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, não fumar e reduzir o consumo de embutidos e alimentos ultraprocessados.
“Essas medidas ajudam não apenas na prevenção do câncer colorretal, mas também contribuem para uma vida mais saudável e com melhor qualidade”, conclui.














