Obras do Baquirivu e MP podem tornar Guti inelegível

As obras do Baquirivu motivaram o envio de um relatório ao Ministério Público de São Paulo, que analisa a responsabilidade do ex-prefeito Guti pela paralisação do projeto de combate às enchentes em Guarulhos. A Comissão Especial de Inquérito (CEI), formada na Câmara Municipal, apontou falhas graves na execução do programa Viva Baquirivu, que previa beneficiar mais de 1.800 famílias que vivem às margens do rio.
O relatório afirma que a gestão de Guti contratou cerca de R$ 600 milhões em empréstimos, mas não executou etapas essenciais, como a construção dos piscinões. Além disso, a comissão destacou a ausência de dotação orçamentária para a construção das moradias previstas no projeto.
Guti também ignorou duas convocações da Câmara para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras. A ausência foi interpretada como descaso pelos parlamentares e reforçou a suspeita de má gestão. O relatório agora está sob análise do Ministério Público, que decidirá se abre uma ação por improbidade administrativa.
Se o MP acatar a denúncia, levará o caso à Justiça, onde Guti responderá legalmente pelo atraso e abandono das obras do Baquirivu. A condenação pode acarretar a perda dos direitos políticos do ex-prefeito, tornando-o inelegível para futuras eleições.
Escândalo
O escândalo compromete a imagem de Guti, que vinha sendo citado como possível nome nas próximas disputas eleitorais. A pressão política aumenta, enquanto a população aguarda respostas concretas sobre a interrupção do projeto.
Além das questões jurídicas, a paralisação provocou danos sociais. Sem as intervenções prometidas, as enchentes continuam a atingir comunidades vulneráveis. Moradores relatam perdas materiais e cobram soluções urgentes do poder público. O programa, que começou com promessa de reurbanização sustentável, se tornou símbolo de frustração e incerteza.
A investigação sobre as obras do Baquirivu também levanta questionamentos sobre a transparência na aplicação dos recursos públicos. Técnicos ouvidos pela CEI relataram falta de planejamento e mudanças constantes no cronograma. O caso já repercute entre lideranças políticas da região e pode influenciar o cenário eleitoral de 2026.










